USP segue omissa em relação à violência de gênero no CRUSP

Na última quarta, 18/12, ocorreu na Reitoria da USP uma reunião para tratar do descaso da PRIP no que tange os casos de violência de gênero na USP e no CRUSP. 

Estavam presentes entidades de luta como a AMORCRUSP, DCE Livre da USP, SINTUSP, ADUSP e APGs da capital e interiores. A reuniões ocorreu devido a pressão realizada pelas entidades e pelo Ministério Público, o qual nos reunimos também para denunciar o descaso com as mulheres, no último dia 16/10.

Palco de crimes como estupro, assédio e violência doméstica, a universidade da elite paulistana não admitiu omissão perante os casos, pelo contrário, ressaltou que tem agido com muito respeito, (mesmo não sendo o que as estudantes sentem na pele), e que devemos "respeitar a institucionalidade e o tempo das burocracias". Questionamos, a quem serve a ausência de acolhimento digno por parte da USP? A quem serve a demora no encaminhamento dos processos administrativos contra os abusadores? E tantos outros casos que a "institucionalidade" jura não fazer. 

Ana Lanna, pró-Reitora de Inclusão e Pertencimento, ressaltou a "importância do estudo aos estupradores"! Claramente, sabemos que se um abusador tem o direito a continuar frequentando suas aulas e a moradia estudantil normalmente, a vítima não pode fazer o mesmo! Pelo contrário, é jogada ao acaso programado pela própria "burocracia" da "melhor da América Latina", que serve a esse sistema!

Simultaneamente a reunião, um ato estudantil acontecia em frente à reitoria.

Na reunião, foi apresentado o novo projeto intitulado "SUA", que se refere a um local físico dentro do CARE, que será responsável por encaminhar os casos de denúncia que chegarem. ENCAMINHAR. 

A AMORCRUSP apontou então que no documento do projeto constava que, mais uma vez, a USP iria se omitir do acolhimento às vítimas e, no próprio papel consta que o acolhimento pode ser feito por qualquer membro da comunidade USP! Na prática, já sabemos que a história será a mesma de hoje: entidades como amorcrusp e movimentos estudantis, compostos por estudantes, receberão os casos que a burocracia universitária quer fazer vista grossa. 

Entendemos que um espaço físico, no próprio CRUSP, é sim um grande avanço e representa uma conquista dos moradores! Porém, como ressaltado pela própria PRIP, esse espaço NÃO é um centro de referência à vítimas de violência, como era uma das reivindicações da AMORCRUSP. Na verdade, a PRIP alega que o "SUA" é um PROTOCOLO de ação perante os casos de violência. Ora, que protocolo é esse que não foi formulado com a entidade representativa dos moradores ou DCE? E, para além disso, que apenas coloca em papel a realidade que já ocorre!

Por isso, a amorcrusp vem aqui demostrar sua indignação com a PRIP perante a ausência de comunicação efetiva com a entidade, o desrespeito com as vítimas e, novamente, a omissão para com o acolhimento dos casos de violência de gênero!

Sabemos que só a luta conquista, e vamos continuar lutando!

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