Baru: o gato gordo do CRUSP
Ah, o CRUSP... Muitos entram na USP com grandes sonhos e ambições. Eu era um deles. Quando entrei no curso de Física, tinha certeza de que ia revolucionar o mundo com descobertas impressionantes. E olha só pra mim agora... Um gato. Não um gato qualquer, mas o "gato gordo" do CRUSP, o famoso Baru. Sim, esse é meu nome e eu não sou uma gata grávida, sou macho e só come um pouco demais.
Eu deveria ter me formado em quatro anos, mas o tempo tem um jeito engraçado de passar quando você está lutando contra as equações de Maxwell e tentando entender o que, diabos, é a função de onda. Sem falar nos experimentos de laboratório que pareciam ser projetados por algum sádico com um senso de humor distorcido. "Basta seguir as instruções!", eles diziam. Como se fosse fácil quando você tem três semanas de sono atrasado, uma pilha de relatórios do tamanho da Torre Eiffel e colegas que insuportáveis.
Quando percebi, tinha passado seis anos na USP, ainda sem conseguir resolver aqueles malditos problemas de física quântica. No começo, até tentei me convencer de que "Física é um estilo de vida", mas isso não paga as contas e nem dá diploma.
Foi numa noite fria, que eu simplesmente... me transformei. Literalmente. Já tinha ouvido falar de gente que "vira lenda" na USP, mas eu levei isso a outro nível. Um dia, estava eu estudando no meu quarto no CRUSP, lá no bloco F, quando adormeci sobre um livro de Mecânica Clássica. Acordei miando. Sim, miando! Olhei para o espelho e lá estava eu: peludo, com bigodes e uma cauda. A novidade realmente era a cauda.
No começo, fiquei em choque. Quem não ficaria? Mas com o tempo, percebi que a vida de gato tinha suas vantagens. Dormir em qualquer superfície que eu conseguir achar pelo CRUSP, derrubar copos d'água de propósito, roubar as meias dos outros moradores, agredir alunos que vem fazer carinho e me chamam de bauru... Era uma forma de expressar toda a frustração acumulada.
Hoje, sou o gato Baru, o mascote oficial do CRUSP. Os calouros me adoram, os veteranos me respeitam, e os funcionários... bem, eles apenas me toleram. Já desisti de tentar entender a Física. Agora, minha vida é comer, dormir e causar caos em horários aleatórios.
Então, da próxima vez que você estiver perdido nos corredores do CRUSP, com uma pilha de livros e a alma em frangalhos, lembre-se de mim, o ex-aluno de Física que agora ronrona como modo de vida. Porque, no final das contas, todos temos nosso próprio jeito de encontrar a paz. Mesmo que seja com uma caixinha de areia e uma tigela de ração.